Faz quase três meses que eu sei que tem uma vidinha crescendo dentro de mim. Eu lembro da torrente de sentimentos que senti no aeroporto de Manaus, onde fiz o primeiro teste de farmácia, enquanto esperava o Pedro chegar para a viagem que faríamos em comemoração ao meu aniversário. Dois tracinhos na fita de resultado, imersa em 2 dedos de xixi desastradamente depositados num copinho de plástico da Gol, em cima do porta-papel. Enquanto esperava o Pedro chegar, já no saguão (depois dos exatos sete minutos que precisei para conseguir coordenar os movimentos necessários para sair da cabine, lavar as mãos e caminhar sem tropeçar), fiquei curtindo a descarga de endorfina mais louca da minha vida, quando uma senhora simpática sentou ao meu lado e, pelo meu sorrisão, se sentiu à vontade para puxar conversa. Ela falava, falava e eu respondia, também animada. O papo era bom, mas na minha cabeça, o diálogo era outro. E eu dizia: dona, eu to com essa cara porque acabei de descobrir que vou ser mãe.
Desde este dia que eu paro para pensar todos os dias neste processo lento que é virar mãe. Hoje, fazendo meu almoço, eu me dei conta do tanto que já mudei e do tanto que uso a expressão “agora que eu sou mãe” para explicar aos amigos porque eu ando com hábitos tão diferentes. A Isabel que jantava uma lata de atum – direto da lata para não sujar nenhum prato – agora sabe fazer arroz integral, aprendeu dicas de como conservar a salada por mais tempo na geladeira, equipou a cozinha e vibra a cada receita nova dominada. Aprendi muita coisa, que quero compartilhar aqui. Enfim, dicas que estão me ajudando a cuidar de mim e da Maria, de um jeito prático até para quem não sabia fazer uma omelete!