O que são raízes hoje?

Eu estava esses dias lendo uma entrevista que a Eliane Brum fez com uma psicóloga que integra a equipe dos Médicos Sem Fronteiras. Uma conversa linda, sobre coisas que realmente importam, com relatos do pior e do melhor do ser humano. A entrevista chama a atenção por vários aspectos: a forma com que a Débora encara viver em total privação de conforto para amenizar o sofrimento dos outros; o renascimento de pessoas que foram submetidas a coisas terríveis e voltam a deixar a vida germinar dentro de si; a compaixão totalmente desenvolvida da psicóloga, sua capacidade  de sentir a dor do outro tão emergencial como se fosse sua.

Além destes fatores super profundos, há também um trivial, que me tocou muito: a noção de pertencimento. “Eu quero ter raiz, mas raízes aéreas, que eu possa levar para onde eu quiser”, diz ela sobre ter largado toda sua mobília no corredor de seu prédio par poder desocupar seu AP e correr para atender uma missão humanitária. ” Se roubarem, roubaram… O que eu vou fazer? Não posso passar minha vida inteira segurando uma televisão na mão. (…) Se eu não posso carregar, não é meu”.

Achei incrível esse conceito de raízes aéreas e, assim como à Débora, creio que ele faça sentido para muita gente. Com alguma expressividade, aparece uma comunidade na nossa sociedade (eu to dentro e muitos amigos e conhecidos também) de pessoas que não fazem questão de estar vinculadas a um lugar ou a coisas para construir seus sonhos e objetivos.

O que mais me faz refletir sobre  optar por esta leveza de raízes é que escolher não estar vinculada a um lugar não te furta de querer estar vinculada a pessoas. Ampliar o mundo e se desvencilhar de coordenadas geográficas exige que nossas relações de família, amizade e afeto sejam extremamente maduras e verdadeiras para existir – o que não deixa de ser uma prova interessante. É intenso viver assim. Desde o começo do ano, me divido em três cidades e me concentro em manter aquilo que importa, em ter tempo só para contactar com o que é verdadeiro. Fico pensando se não deveria ser assim sempre e em como seria se toda a nossa sociedade vivesse desse jeito. Viveríamos em intensidade, ou na falta de relacionamentos?

para a parede

Quando eu era pequena, tinha em casa a ‘parede da bebel’ – uma parede em que meus pais me deixavam fazer tudo o que quisesse: riscar, colar coisas, rasgá-las e colar outras por cima – o que desse na telha.

Agora quero fazer uma nova versão desta parede, no corredor dos quartos de casa – rá… porque a gente se emancipa e sai de casa, mas crescer mesmo, só para o que é estritamente necessário!

Nessa parede vou colar adesivos com frases bonitas, bem construídas, que valorizem a profundidade da nossa alma.

Todos estão convidados a criar e indicar frases assim. Auto-ajuda barata, não. De resto, fiquem à vontade em http://piratepad.net/2PKysYQkaI

Um beijo e obrigada!

O que estou grifando de A Resistência, de Ernesto Sabato

Digo que não estou lendo este livro. Eu o estou rezando.

“Há certos dias em que acordo com uma esperança demencial”;

“Peço a vocês que paremos para pensar na grandeza que ainda podemos pretender se ousarmos avaliar a vida de outra maneira. Peço a nós esta coragem que nos situa na verdadeira dimensão do homem” (morri!);

“Não há outro modo de atingir a eternidade a não ser aprofundando-se no instante”

“Toda vez que perdemos um encontro humano, alguma coisa se atrofia em nós”

“… a eternidade da alma na humildade de uma prece”.

Estou lendo este livro pela segunda vez. Aos 23, grifei de lápis e agora aos 25 estou grifando em azul.
Repito: grifem seus livros! Não tem álbum de fotografia melhor sobre a sua cabeça!

Bagunça nos clássicos

Hoje à noite tive vontade de prestar essa humilde homenagem ao Sex Pistols e ao Ramones pela bagunça que fizeram com clássicos do Frank Sinatra e do Louis Armstrong! Nada contra os dois,  só tudo a favor da remixagem \m/

Gosto demais dessas versões!

What a wonderful word por Ramones:
http://beta.blip.fm/~nskqm

My way por Sex Pistols:
http://beta.blip.fm/~nskqm

Mapa de livros e lugares

Já faz um tempo eu quis saber que livros se passavam em Viena (Daniel estava a caminho de lá e eu queria sugerir um livro que se passasse na cidade para ele ler  antes de partir). Perguntei para amigos que estavam por perto e todo mundo ficou com aquela sensação de “eu sei, mas não lembro de nenhum agora”. Lembramos de dois e eu quis anotar em algum lugar. Por isso, fiz um mapa no Google Maps (e só parei para falar dele agora) que aponta lugares onde os livros se passam. Ele é colaborativo, claro. Já tem uns 50 livros cadastrados, mas podemos incluir bem mais!

Se lembrar de algum livro que tem a cidade onde se passa como uma quase personagem, passa lá =)